GRAN TORINO (Gran Torino, EUA, 2009)

Direção: Clint Eastwood
Roteiro: Nick Schenk
Elenco: Clint Eastwood, Christopher Carley, Bee Vang e Ahney Her.
CINEMA.


O veterano da Guerra da Coreia e funcionário aposentado da indústria automotiva Walt Kowalski em Gran Torino, parece ser uma síntese de alguns personagens da carreira de Clint Eastwood. De O Destemido Senhor da Guerra até Dirty Harry, Kalwoski é um sujeito amargurado pelo passado bélico que não soube sustentar sua relação com os filhos e se ressente com a recém morte da esposa. Sua única companhia agora é sua cadela Daisy e o velho Gran Torino que ele mesmo ajudou a fabricar. Um típico carro americano, hoje tomado pelos modelos japoneses. É desta referência, a da invasão estrangeira, que parte o roteiro de Nick Schenk. De como aceitar e lhe dar com as diferenças após a chegada de vizinhos do distante Laos que vão mudar sua vida mesmo que de forma fugaz. A amizade de Walt com o jovem Thao e de como este pode ser o que ele próprio ou seus filhos não foram selam a construção de uma história que no íntimo de Walt ainda pode ser mudada. A construção desta relação é a esperença de liberdade e proteção para Thao e de redenção para Walt. Eastwood, mais comodista, conduz seu filme sem exagerar nas nuances. Seu Kowalski é um herói sem ação mas com atitude que mesmo rabugento, cede às emoções. O final dramático, é a catarse de um enredo anunciado mas que Eastwood consegue despertar no público um sentimento de tristeza e de torcida para um outro rumo. É a maestria em evidência do velho Eastwood.